terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Avaliação: Petrobrás e Vale

A Petrobras (controladora) apurou um lucro líquido recorde de R$ 11,4 bilhões no 3T08, dobrando o lucro líquido obtido no 3T07, de R$ 5,7 bilhões. Por outro lado, na mesma base de comparação, a margem bruta reduziu 7 p.p., situando-se em 38%, e a margem EBITDA situou-se em 28%, abaixo da apurada no 3T07 (31%). Comportamento decorrente do aumento dos gastos com participações governamentais, dos custos com importações de petróleo e derivados, maiores gastos com afretamento de plataformas, maiores custos exploratórios, reajustes salariais e bônus equivalentes a 80% da folha, além de multas em termelétricas.

Contudo, as perspectivas para a empresa seguem positivas, pois muitos desses gastos devem cair. Seus custos com importações de diesel devem ser menores, pois além de o mesmo estar mais barato no mercado internacional, haverá mais produção doméstica. O custo de extração também deverá reduzir, pois este acompanha o preço do petróleo, que caiu vertiginosamente. Além disso, o preço dos principais derivados (gasolina e diesel) para mercado interno permanecem inalterados. Quanto à exploração do pré-sal, as receitas serão menores nas condições atuais, mas de acordo com a empresa ainda é viável nos atuais preços do barril e custo de capital. Entre o final de 2008 e início de 2009 deverão entrar em operação mais três plataformas que adicionarão uma capacidade de 460 mil barris por dia de óleo e 15,5 milhões m natural à capacidade atual.
Pontos positivos

* Expectativa de forte crescimento da produção de petróleo e gás natural nos próximos anos;
* descobertas de óleo leve nas camadas do pré-sal e investimentos no parque de refino favorecerão o desempenho nos próximos anos;
* estrutura de custos competitiva;
* potencial de aumento da geração de caixa nos próximos anos;
* forte plano de investimentos, de US$ 112,4 bilhões para o período de 2007 a 2012.

Pontos negativos

* Controle informal dos principais derivados no mercado interno (gasolina e óleo diesel) acirra as dúvidas sobre ingerência política na Petrobras;
* quedas constantes nos preços do barril de petróleo, colocando dúvidas em relação à viabilidade dos investimentos no pré-sal;
* dificuldades nas negociações impostas pelos governos da Bolívia e da Venezuela provocando morosidade e incertezas quanto a renovação de contratos e suprimento de gás natural;

Vale
Comentários por Paulo Ross Hegg - UM Investimentos - www.uminvestimentos.com.br

As perspectivas para a Companhia continuam favoráveis, mesmo dentro de um cenário de desaceleração da economia. Pode-se destacar o expressivo crescimento dos embarques de minério de ferro e pelotas no 3T08. No entanto, estima-se um crescimento mais moderado para os próximos trimestres.

Deve-se olhar com atenção para a forte desvalorização do real a partir do 3º trimestre de 2008, tendo efeito positivo sobre o lucro da Companhia.

Os investimentos totalizaram US$ 2,7 bilhões até 30.09.08, sendo 76% destinados para o financiamento da execução dos projetos da Companhia e P&D.

Outro ponto a se destacar é a qualidade do minério produzido pela companhia, com alto teor de ferro; a eficiente logística e a liderança do mercado transoceânico. Finalmente, atenta-se para as aquisições feitas em ativos estratégicos e os investimentos que vêm sendo realizados, que proporcionam menor dependência da participação do minério de ferro no faturamento da companhia e possibilitam a ampliação dos mercados.

Pontos positivos

* Liderança no mercado transoceânico de minério de ferro e segunda maior mineradora diversificada;
* expectativa de continuidade da demanda por minério de ferro;
* manutenção dos preços do minério de ferro para os próximos anos;
* sólida estrutura de capital e excelente geração de caixa.

Pontos negativos

* Crescimento da demanda de minério de ferro concentrado na China;
* desaquecimento da demanda externa, em especial no Hemisfério Norte;
* acréscimos dos preços das principais matérias-primas;
* demora na liberação de licenças ambientais para novos projetos;
* dificuldades na descoberta de reservas de classe mundial em lugares de fácil acesso.

Fonte: ADVFN

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Retomada na Bovespa

Após o tombo de 2008, a Bolsa de Valores iniciou 2009 em ritmo forte. Alguns setores que muito perderam recentemente têm se destacado nestes primeiros pregões do ano. Mas o que a Bovespa reserva para os próximos meses ainda é uma incógnita. Analistas aconselham aos investidores a não se empolgarem com a arrancada dos últimos pregões, pois nada mudou de forma radical no cenário internacional para promover uma inversão de tendência do mercado.
Ainda é prematuro para afirmar, por exemplo, que o petróleo e as commodities metálicas -muito importantes para a Bolsa de Valores local e que se depreciaram em 2008- irão se recuperar neste ano.
"O mercado está neste momento sem muitos parâmetros, rodeado de incertezas em relação ao que vai ocorrer com a economia mundial", afirmou Luiz Antonio Vaz das Neves, analista da KNA Consultores. "Com tantas dúvidas, o ideal é focar agora em ações de companhias e setores mais tradicionais. Não é a hora de pensar em ações de segunda linha", disse o especialista.
O índice Ibovespa (que reúne as 66 ações mais negociadas) registrou perdas de 41,2% em 2008, no que foi seu pior ano desde 1972. Neste ano, a Bolsa já conseguiu subir 10,74%.

O setor de siderurgia e mineração é um que tem forte dependência da economia internacional. Para esse segmento, o ritmo da economia chinesa será um ponto relevante para melhorar os preços das matérias- primas e ajudar a dar novo ânimo a papéis de companhias como Vale, CSN e Gerdau.
A Vale, a segunda maior companhia listada na Bovespa, reflete bem o atual cenário. Seu papel preferencial "A", que recuou 51,1% em 2008 na esteira da depreciação das commodities, registra alta de 18,2% neste ano. Mas ainda é cedo para saber até quando conseguirá manter esse atual ritmo forte.
As ações da Petrobras, que não registraram resultados animadores em 2008 com o enfraquecimento do preço do petróleo, também têm tido um bom começo de ano. A ação preferencial da companhia, a mais negociada no mercado doméstico, recuou 46,1% no ano passado. Neste ano, já subiu 11,2%.
O valor do petróleo, que chegou ao recorde de US$ 145 em julho passado, depende de diferentes fatores para se recuperar, como o desempenho da economia mundial e a consequente demanda pelo produto. Na sexta-feira, o barril encerrou a US$ 40,83 -ou 72% abaixo de sua máxima.

Dependência interna
Se esses segmentos vão depender do ânimo internacional para se recuperarem na Bolsa, outros setores vão estar mais ligados ao desempenho da economia doméstica. Como a expectativa é a de que a economia brasileira cresça a um ritmo menor neste ano, há setores que talvez tenham mais dificuldades para conquistar bons resultados que ajudem a impulsionar as suas ações.
A construção civil, por exemplo, já foi uma das decepções do ano passado. Os papéis de empresas do setor se depreciaram em 70,7% em 2008, segundo cálculo da Economática. A ação ON da Rossi Residencial foi o papel do Ibovespa que mais caiu no ano, com perdas de 83,2%. Mas, no embalo do atual ritmo de recuperação, a ação da Rossi Residencial disparou 27,2% na semana passada.

"As revisões negativas para o cenário econômico de 2009 continuam. Nem bem começamos o ano e já temos informações novas suficientes para revisarmos para baixo nossas estimativas para o crescimento de 2009", alerta Maristella Ansanelli, economista-chefe do banco Fibra. "O crescimento do PIB de 2009 deve ser inferior a 2%", afirma a economista.
Para 2008, a projeção do mercado é a de que a economia brasileira tenha crescido 5,6%.
"A economia vai crescer menos, e empresas que dependem apenas do mercado interno terão dificuldades. Talvez o setor de construção, um dos mais punidos em 2008, consiga algum impulso com um esperado incentivo do governo. Esse segmento é um importante gerador de emprego e o governo está atento a isso", afirma Neves.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Não há crise - Divertido

Bom dia,

Recebi esta imagem e achei no mínimo interessante, é claro que não podemos ver tudo ao pé da letra, existe crise e problemas sim, mas a mensagem abaixo tem seu fundo de verdade.



boa sorte

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Autossuficiência do petróleo durou apenas 2 anos

Celebrada há apenas dois anos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a autossuficiência na produção nacional de petróleo não resistiu ao aumento da demanda por combustíveis em 2008. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), compilados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), de janeiro a novembro, o País importou mais petróleo e derivados do que exportou.
O Ministério de Minas e Energia (MME) admite que o déficit permanecerá quando os números finais de 2008 forem fechados. Até novembro, indica a ANP, o Brasil importou 243,5 milhões de barris de petróleo e derivados, contra exportações de 221,9 milhões de barris. Na média, o saldo negativo é de 65 mil barris por dia, volume próximo do ganho médio acumulado em dois anos de autossuficiência: 73,2 mil barris por dia.
Em nota enviada ao Estado, o ministério diz que o mau desempenho é fruto do "aumento inesperado" da demanda e que será revertido em 2009, com a entrada em produção de novas plataformas. Já a Petrobrás discorda dos números da ANP e diz que, pelas suas contas, o Brasil continua exportando mais do que importando. A estatal diz que, até novembro, tinha um superávit médio de 54 mil barris por dia.
"Continuamos autossuficientes", garante o diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa. De acordo com ele, até novembro a produção nacional de petróleo foi de 1,841 milhão de barris por dia, enquanto o consumo foi de 1,793 milhão de barris. O executivo lembra ainda que a empresa bateu seu recorde de exportações de petróleo em outubro, com a marca de 574 mil barris por dia, que deve ter sido batido em dezembro.

Petrobrás e Secex/ANP sempre divergiram neste tema. Costa argumenta que a estatal considera os embarques e desembarques de petróleo e derivados, enquanto a Secex apenas contabiliza os dados após o fechamento das operações financeiras. Por meio de assessoria de imprensa, a ANP esclarece que seus dados contabilizam ainda as importações feitas por empresas privadas, como as centrais petroquímicas e as produtoras de cimento.
Analistas consultados pelo Estado, porém, preferem usar os números da ANP em suas projeções. Para Walter de Vitto, da Tendências, o crescimento da economia explica a perda da autossuficiência em 2008. "As importações cresceram muito, principalmente de derivados, em função do crescimento econômico", diz. O consumo de diesel, por exemplo, cresceu 8%, calcula o Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes.
Como o petróleo nacional é mais pesado, as refinarias da Petrobrás não conseguem produzir todo o diesel consumido no País. Na ponta da produção, os resultados foram piores do que os esperados. Até novembro, a empresa contabiliza um aumento de 3,34% na produção nacional de petróleo, que atingiu a média de 1,852 milhão de barris por dia. A expectativa inicial era de fechar o ano com uma produção média de 1,91 milhão de barris por dia.

Embora não haja riscos ao abastecimento nacional, a perda da autossuficiência em um ano de preços altos provocou estragos na balança comercial do setor. O déficit ultrapassou os US$ 11 bilhões em 2008. A situação é piorada pela baixa qualidade do petróleo brasileiro, que na média de janeiro a novembro foi vendido ao exterior a US$ 94,3 por barril. Já as importações de petróleo tiveram um preço médio de US$ 112,68 por barril. Para 2009, a Tendências projeta um déficit inferior, de US$ 7 bilhões.
Além do efeito da queda no preço do petróleo, a expectativa é que a produção aumente consideravelmente, levando o País a retomar a autossuficiência.
A Petrobrás trabalhava para iniciar a produção, entre o fim de 2008 e janeiro de 2009, de três novas plataformas, com capacidade total para produzir 460 mil barris por dia. Este ano, uma nova unidade, de 100 mil barris por dia, será colocada em operação pela Shell, em parceria com a estatal.
Dentre as plataformas operadas pela Petrobrás, as maiores são a P-51 e a P-53, com capacidade de 180 mil barris por dia cada, que estão sendo instaladas nos campos de Roncador e Marlim Leste, respectivamente, ambos na Bacia de Campos. A terceira unidade foi batizada de FPSO Cidade de Niterói, com capacidade para 100 mil barris por dia, que vai para o campo de Marlim Leste. Os dois projetos devem encabeçar a lista de maiores produtores do Brasil nos próximos anos, com o declínio do campo de Marlim, hoje responsável por 17% da produção nacional.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo

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