quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Tecnologia - Internet pela rede elétrica no Brasil

A japonesa Panasonic está de olho na regulamentação do serviço de banda larga pela rede elétrica no mercado brasileiro.

A companhia trouxe seus modems para conexão pela tecnologia PLC (da sigla Power Line Communication) e está testando o serviço em Barreirinhas (MA), em parceria com a Associação de Empresas Proprietárias de Infra-estrutura e Sistemas Privados de Telecomunicações (Aptel).

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) colocou em consulta pública nesta semana uma proposta para regulamentar o serviço de Internet pela rede elétrica no país.

Como explicou Eduardo Kitayama, consultor técnico de vendas da Panasonic Brasil, a empresa colocou três equipamentos em Barreirinhas, em uma biblioteca pública, em um restaurante e em uma loja, onde as conexões estão sendo feitas a uma velocidade de 200 Mbps - hoje as velocidades mais altas no país são a 30 Mbps.

Outros testes devem ser iniciados em 2009, segundo ele, também em parceria com a Aptel. Em Recife (PE), por exemplo, elas deverão testar o PLC em um novo empreendimento imobiliário que está em fase de construção.

Antes mesmo da regulamentação, algumas concessionárias de energia já realizaram testes da tecnologia em suas regiões. Esse é o caso, por exemplo, de estados como Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.

De acordo com Kitayama, o PLC poderá ser um complemento a outras tecnologias de conexão, como o Wi-Fi, especialmente em regiões onde a rede fixa de telefonia não esteja presente.

"Dos 58 milhões de domicílios existentes no Brasil, 20 milhões não têm rede de telefonia fixa. Já a energia elétrica está em 99% das casas", comparou. Nas grandes metrópoles, especialmente em prédios antigos, o PLC também pode ser uma alternativa à uma infra-estrutura já obsoleta e congestionada, por exemplo.

Ele explicou que hoje os modems da Panasonic são fabricados na Malásia e no Japão. No Brasil, entretanto, "a tecnologia é nova e ainda desconhecida do conumidor final". Ele espera, no entanto, que "a partir de 2009 comece a existir uma certa demanda" e, quando ela o justificar, a empresa poderá nacionalizar a sua produção. "É preciso ter volume para justificar a fabricação".

A companhia já vende modems para conexões pela rede elétrica em seu próprio país de origem, além de nos Estados Unidos, México e algumas nações da Europa. No Japão, explicou ele, "o modem PLC já é vendido nas prateleiras das lojas".

A empresa também planeja a conexão de equipamentos por meio desta tecnologia. No Japão, por exemplo, um interfone é conectado a uma TV de plasma e, com a conexão via PLC, permite ao morador ver a imagem da pessoa que está batendo em sua porta.

Como admite que "a escassez de energia é uma preocupação", Kitayama afirma que o PLC poderá, inclusive, ajudar no controle de gastos de cada eletrodoméstico se estiverem conectados aos medidores de consumo da concessionária de energia.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Gráficos apontam recuperação

O desempenho do mercado ontem reavivou na mente dos investidores o dia 16 de agosto do ano passado, quando o pânico dominou os negócios e o Índice Bovespa chegou a cair mais de 8%. A queda de ontem foi bem mais modesta, mas o sentimento de irracionalidade, com todo mundo querendo vender ações o quanto antes, sem saber ao certo o motivo, foi exatamente o mesmo de um ano atrás. A aversão ao risco vem crescendo de forma consistente e a cada dia surge um fato novo que leva o investidor a concluir que o melhor nesse momento é ficar quietinho na renda fixa mais conservadora possível. Ontem, foi principalmente o medo de uma quebra do banco Lehman Brothers que deflagrou o forte movimento de venda das ações. O Ibovespa fechou em queda de 4,50%, aos 48.435 pontos. A lembrança do dia 16 de agosto de 2007 não é à toa, já que a pontuação de ontem é a menor desde então, quando o indicador fechou aos 48.015 pontos.
Dentro da análise fundamentalista, o principal temor é que a desaceleração mundial seja maior do que se esperava, ou se tinha esperança, até algumas semanas atrás. A queda das commodities contribui para esse desconforto, especialmente no que diz respeito aos países emergentes, seus grandes produtores.

Analistas vêem limite de queda em 48 mil pontos

Se serve de alento para os que se encontram em pleno desespero, a análise gráfica, aquela que projeta os movimentos futuros do mercado com base no comportamento passado dos gráficos, mostra que a bolsa está à beira de um período de recuperação dos preços, mesmo que de curto prazo. Ufa, que alívio! Independentemente da metodologia, todos os analistas gráficos ouvidos pelo Valor apontam os atuais 48 mil pontos do Ibovespa como um importantíssimo ponto de suporte. Em outras palavras, isso significa que, analisando os históricos, percebe-se que o índice luta bravamente para não cair abaixo desse nível e ter uma recuperação.
"Esses 48 mil pontos são um enorme teste de fogo para o Ibovespa e, como acredito que ele (o índice) conseguirá passar bem por essa prova, este é um excelente momento para comprar ações", diz a analista gráfica do banco Santander, Sílvia Afonso. Apesar do tom otimista, ela alerta que dificilmente o Ibovespa irá experimentar o doce gosto de novos recordes históricos ainda este ano, já que as condições não são favoráveis. Mesmo não acreditando na hipótese mais sombria, no caso de o Ibovespa cair abaixo dos 48 mil pontos, o seu próximo suporte será na casa dos 45 mil pontos, que foi a última mínima, em julho do ano passado, lembra Sílvia.

Se são grandes as chances de a hemorragia estancar, até aonde pode ir essa tão sonhada recuperação? Graficamente, o próximo nível de resistência - teto que as ações têm dificuldade de ultrapassar - é em 52.400 pontos e, em seguida, em 54 mil pontos, aponta o analista gráfico da Itaú Corretora, Márcio Lacerda. Se o Ibovespa tiver forças suficientes para passar esses dois pontos, o índice irá buscar os 66 mil pontos e depois os 74 mil, próximo de seu último recorde histórico, o que Lacerda acredita que possa ocorrer no longo prazo. "Assim como a queda vem há meses, a alta também deve se desenrolar por um bom tempo, portanto, é preciso ter paciência", alerta.
Um outro dado importante que também aponta para uma breve recuperação é o chamado Índice de Força Relativa (IFR), que mostra que o mercado está excessivamente sobrevendido, ou seja, os investidores já venderam tudo o que tinham e o que não tinham também. "O IFR está em 20, que é o nível máximo de sobrevenda, e que não ocorre há muito tempo", completa Lacerda.
Os gráficos também mostram que muitas ações na Bovespa atingiram pisos importantes, o que é meio caminho para esboçarem algum tipo de reação. É o caso das preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras, que podem agora buscar os R$ 35 (ontem fecharam em R$ 28,35) nas próximas semanas, estima o grafista da Ativa Corretora, Eduardo Collor. "É nas horas de pânico, como a atual, que surgem as boas oportunidades, o investidor só precisa manter a calma para enxergá-las", diz ele.
Algumas outras metodologias de análise passam longe do otimismo dos grafistas. É o caso da análise quantitativa, que usa sofisticados cálculos matemáticos. Pela projeções do analista quantitativo do Santander Nilton Cardoso, os números apontam que o Ibovespa pode chegar a 34 mil pontos. "Mas os cálculos não consideram o fluxo de investidores, que pode perfeitamente mudar tal cenário", alerta ele.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Bovespa seguirá "sofrendo"

Bovespa seguirá "sofrendo", diz analista

O economista Ramón Aracena, especialista em Brasil no IIF (Instituto de Finanças Internacionais, que reúne uma rede de 375 instituições financeiras no mundo), afirma que a Bolsa brasileira continuará "sofrendo", no médio prazo, as conseqüências do desaquecimento nos Estados Unidos, que deve se prolongar durante o próximo ano.
"Nunca acreditei na tese do descolamento. O fato é que algumas economias emergentes, como a brasileira, estão mais resistentes a choques externos. O que acontece é que quando a Bolsa de Nova York apresenta um desempenho negativo, como tem ocorrido, há contágio em todos os outros mercados emergentes. Todos acabam se molhando nessa chuva."
Aracena diz que, embora o Brasil apresente "bons fundamentos, grandes reservas internacionais e credibilidade", o país "não está imune".

"Note que, no início do ano, bem em meio à crise de crédito nos Estados Unidos, a Bolsa brasileira estava subindo. Mas, neste momento, há um temor maior de que haja um esfriamento econômico em nível mundial, e isso está afetando a performance de todas as Bolsas. Enquanto a economia mundial estiver diante dessa perspectiva, as Bolsas vão sofrer", disse.
"No fundo, o problema é que os investidores estrangeiros estão nervosos com a queda dos preços das commodities. Como a Bolsa brasileira é muito dependente deles [43% do Ibovespa está atrelado ao setor de commodities], o mercado está sofrendo. O estresse atual na Bolsa não é problema apenas do Brasil. Está acontecendo em quase todos os mercados mundiais, emergentes ou não. O contágio é geral."
Aracena afirma que o IIF deve divulgar nas próximas semanas uma revisão, para baixo, das perspectivas de crescimento da economia brasileira, especialmente em decorrência do "contágio" vindo dos EUA.
"Para os EUA, 2009 será um ano complicado. O principal é solucionar os problemas atuais no sistema de crédito. Mas o fato é que ninguém sabe ao certo o que deve acontecer no país ou nas outras economias industrializadas", afirma Aracena.

Agenda da Semana - Fique de olho

Semana terá definição de taxa de juros e dados do PIB

A agenda brasileira estará carregada nesta semana. Além da apresentação do desempenho da economia nacional no segundo trimestre, haverá a reunião do Copom, que definirá como ficam os juros básicos da economia brasileira.
Na cena internacional, amanhã será um dia bastante importante. Isso porque haverá um novo discurso de Ben Bernanke -o presidente do BC dos EUA- e a reunião da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
Como o futuro da economia norte-americana ainda traz muitas incertezas, a fala de Bernanke será acompanhada com interesse pelo mercado. Já a reunião da Opep vem em um momento em que o petróleo se afasta cada vez mais de seu pico -em julho rompeu os US$ 145 por barril-, tendo encerrado os negócios de sexta-feira a US$ 106,23 em Nova York.
No Brasil, a quarta-feira deve ser o dia mais agitado, por concentrar tanto a divulgação do PIB quanto a reunião do Copom, que irá anunciar a nova taxa básica de juros da economia, a Selic, que está hoje em 13%. A maioria dos analistas conta com uma elevação de 0,75 ponto percentual na Selic, mas há quem espere por um resultado diferente.

Para Istvan Kasznar, economista-chefe da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), o Copom vai elevar a taxa em 0,50 ponto percentual. "Se, por um lado, a inflação já apresenta sinais claros de arrefecimento, por outro a demanda por bens e serviços na economia ainda está em níveis muito preocupantes", diz o economista.
Segundo a pesquisa Focus, feita pelo BC com cem instituições financeiras, a previsão é de que a taxa Selic esteja em 14,75% no fim de 2008. Ou seja, pela projeção do mercado o ciclo de elevações da taxa Selic ainda está um pouco distante de seu fim.
Como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve desaceleração em agosto, ficando em 0,28%, as apostas em torno da possibilidade de o Copom elevar a Selic em um ponto perderam força.
O principal motivo que levou o Copom a retomar o processo de alta da Selic, em abril, foi o risco representado pelas pressões inflacionárias. Ao subir os juros, o Banco Central busca frear o crédito e o consumo, detendo a escalada dos preços.
"A inflação, que estava tirando o sono de muita gente, voltou a se comportar. Nossa projeção era de 0,30% em agosto. Em 12 meses, a inflação bateu no teto e recuou", aponta a Gradual Corretora.
Para a Bolsa de Valores, quanto menos os juros subirem, melhor.
Taxas maiores representam retornos mais expressivos em aplicações de renda fixa, que podem atrair investidores que estavam aplicando em ações.

Ainda a inflação
O risco de crescimento inflacionário não é um problema apenas para o Brasil.
As maiores economias do mundo sofrem neste momento com a pressão indesejada dos preços.
Na sexta-feira, os Estados Unidos vão divulgar o resultado do PPI (índice de preços ao produtor).
A expectativa é que o indicador aponte alta de 0,2% em agosto, contra 0,7% registrado no mês anterior.
Ainda nesse dia, os Estados Unidos vão apresentar dados referentes às vendas no varejo, o índice de confiança ao consumidor e os estoques das empresas.
Esses números darão sinais sobre o ritmo em que anda a maior economia do planeta.

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina

  ©Template Blogger Green by Dicas Blogger.

TOPO